Praça Tiradentes
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Fica na interseção da Rua José Paulino (Morro do Sabão), Rua Marechal Floriano, Ponte sobre o Rio Piranga e Rua Coração de Jesus. Teve este nome por meio do projeto de Lei 84, de 30/06/1954, cujo nome anterior era Praça Santa Cruz.
“Tiradentes” era o apelido
atribuído a Joaquim José da Silva Xavier, que
ficou famoso por ser um dos líderes da Inconfidência
Mineira e por ter sido o único, entre os
inconfidentes, a receber a pena capital, isto é, a pena de morte, pela forca.
Nascido em 12 de novembro de 1746, na então Capitania de Minas Gerais,
durante o Brasil Colonial, Joaquim José desempenhou várias profissões. Entre
elas, estava a de dentista amador, por isso foi apelidado como Tiradentes. Além de dentista, Tiradentes também
tentou a sorte como tropeiro (condutor de tropas de animais, transportadoras de
mercadorias), minerador e mascate (mercador ambulante), mas fracassou em todas.
A única profissão que lhe rendeu estabilidade foi o posto de alferes – patente abaixo da
de tenente – da cavalaria de Dragões
Reais de Minas, a força militar atuante na Capitania de Minas Geras e
subordinada à Coroa Portuguesa.
Tiradentes, apesar de não ser um intelectual, interessava-se por
escritos políticos, como as leis constitucionais dos Estados Unidos, país que
havia conquistado a sua independência em 1776, quando o alferes tinha 30 anos
de idade. Os interesses políticos de Joaquim José da Silva Xavier aos poucos
foram se divergindo dos interesses de outros habitantes de Vila Rica, que era o centro
da atividade mineradora do Brasil na época. Intelectuais como Cláudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga, ambos
poetas e conhecedores das ideias filosóficas do Iluminismo
Francês, foram algumas das personalidades importantes com
as quais Tiradentes se juntou com o objetivo de retirar do poder o então
Governador da Capitania de Minas Gerais, nomeado pela Coroa Portuguesa, Visconde de Barbacena. Mas qual
era o motivo para tal revolta?
O motivo principal que animava Tiradentes e os outros envolvidos na
Inconfidência a se levantarem contra o governo de Visconde de Barbacena e o
Império Português era a constante retirada das riquezas da região por meio de
impostos excessivos. Do ouro produzido na Capitania de Minas de Gerais, a Coroa
Portuguesa cobrava o chamado quinto,
isto é, o equivalente a cerca de 20% do total extraído. Ocorreu que, a partir
da década de 1760, a extração de ouro regrediu consideravelmente, mas não o
valor do imposto. A taxa do quinto continuou
a ser exigida dos mineradores locais, e o governador Barbacena, para fazer
valer a lei, chegava até a impor agressões físicas.
O problema agravou-se mais ainda quando, para reverter a margem defasada
dos quintos recolhidos, a Coroa Portuguesa autorizou a
implementação da chamada derrama. A derrama obrigava os mineradores a cobrirem com
suas posses, isto é, tudo aquilo que lhes pertencia como objeto de valor, o que
faltava na quantia do quinto. Isso
significava que o rombo provocado no pagamento do imposto à Coroa, resultante
do declínio da mineração, acabou tendo que ser pago com outras formas de
obtenção de dinheiro, como pedágios cobrados sobre o uso das estradas, escravos
etc. Todos eram forçados a pagar a derrama.
A conspiração dos inconfidentes começou a ser preparada em 1788 para que
as ações passassem a se realizar no ano seguinte. Tiradentes, por sua
personalidade agitada, ficou conhecido como o mais radical dos inconfidentes,
como diz o pesquisador Lucas Figueiredo, em seu livro Boa Ventura! A corrida do ouro no Brasil (1697-1810).
Tiradentes chegou a tramar a morte de Visconde de Barbacena, e isso só
não foi concretizado porque Barbacena, por meio da confissão de um dos
inconfidentes, José Silvério dos
Reis, desmantelou a trama e prendeu todos os envolvidos.
Presos, muitos dos inconfidentes, temendo severas punições, não
confessaram seus crimes. O único a fazê-lo foi Tiradentes, que, por isso mesmo,
recebeu a pena mais dura, em um processo transcorrido na cidade do Rio de
Janeiro, que só teve fim em 21 de
abril de 1792. Tiradentes foi “enforcado, decapitado e
esquartejado. Para que os súditos da Coroa nunca se esquecessem da lição, a
cabeça de Tiradentes foi encravada num estaca e exposta em praça pública em
Vila Rica, e seus membros, espalhados pela estrada que levava ao Rio de
Janeiro.”
Vale notar que, tanto no período imperial quanto no período republicano,
a imagem de Tiradentes passou a ser tomada como um ícone da liberdade e da
independência do Brasil, como um herói
da nação. Essa imagem foi constantemente reforçada por pinturas (como
a imagem no início deste texto,
de autoria de Pedro Américo) e monumentos (como a
instalação do primeiro monumento dedicado
a ele na cidade de Ouro Preto, em 1867). No ano de 1965, já na primeira fase
do Regime Militar no Brasil, o
marechal Castelo Branco, então presidente da
República, contribuiu para o reforço dessa imagem de Tiradentes, sancionando
a Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro,
que instituía o dia 21 de abril como feriado nacional e Tiradentes como,
oficialmente, Patrono da Nação Brasileira.

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